TIRE SUAS DÚVIDAS
Que avanços as pesquisas científicas com células-tronco podem trazer
para a medicina?
As células tronco podem ser utilizadas para substituir células que o organismo deixa de produzir
por alguma deficiência, ou em tecidos lesionados ou doentes. As pesquisas com
células-tronco sustentam a esperança humana de encontrar tratamento, e talvez
até mesmo cura, para doenças que até pouco tempo eram consideradas
incontornáveis, como diabetes, esclerose, infarto, distrofia muscular,
Alzheimer e Parkinson. O princípio é o mesmo, por exemplo, do transplante de
medula óssea em pacientes com leucemia, método comprovadamente eficiente. As
células-tronco da medula óssea do doador dão origem a novas células sangüíneas
sadias.
Por que permitir a pesquisa com embriões, se as
células-tronco são também encontradas em tecidos adultos?
Porque as células embrionárias seriam as únicas
que têm a capacidade de se diferenciar em todos os 216 tecidos que constituem o
corpo humano. As células retiradas de tecidos adultos têm capacidade de dar
origem a um número restrito de tecidos. As da medula óssea, por exemplo, formam
apenas as células que formam o sangue, como glóbulos vermelhos e linfócitos.
O que a Lei da Biossegurança aprovada na Câmara permite?
Ela autoriza as
pesquisas científicas com células-tronco embrionárias, mas impõe uma barreira.
Poderão ser pesquisados apenas os embriões estocados em clínicas de
fertilização considerados excedentes, por não serem colocados em útero, ou
inviáveis, por não apresentarem condições de desenvolver um feto. O comércio,
produção e manipulação de embriões, assim como a clonagem de embriões, seja
para fins terapêuticos ou reprodutivos, continuam vetados.
Os cientistas podem adquirir os embriões diretamente nas
clínicas de fertilização assistida?
Sim. O cientista precisa da autorização do
conselho de ética do instituto onde trabalha, como em qualquer projeto que
envolva a manipulação de material humano. Uma vez autorizado, o pesquisador
poderá adquirir os embriões diretamente nas clínicas. Eles deverão estar
estocados há mais de três anos e só poderão ser utilizados com o consentimento
dos pais, mediante doação. Atualmente, estima-se que o país tenha 30.000
embriões congelados.
Qual o motivo da polêmica em torno da lei?
Para explorar as células-tronco usando as
técnicas conhecidas hoje, é necessário retirar o chamado "botão
embrionário", provocando a destruição do embrião. Esse processo é
condenado por algumas religiões – como a católica - que consideram que a vida
tem início a partir do momento da concepção. Há perspectivas de que no futuro
se encontrem técnicas capazes de preservar o embrião, o que eliminaria as
resistências religiosas.
É possível desenvolver uma técnica para obter células-tronco
sem precisar dos embriões?
Sim. No início de 2007, cientistas americanos
anunciaram a descoberta de uma nova fonte de células "coringa",
extraídas do líquido amniótico, que preenche o útero durante a gravidez.
Extraídas e cultivadas em laboratório, as células deram origem a vários tipos
de células diferentes - ou seja, funcionam como células-tronco. Conforme os
cientistas, as células-tronco extraídas do líquido amniótico não são idênticas
às células-tronco embrionárias. Em alguns casos, porém, elas funcionam até
melhor, dizem eles. Mas a gama de aplicações para esse novo tipo de
célula-tronco pode ser menor do que no caso das embrionárias.
Qual é o tamanho do embrião quando as células são extraídas para
pesquisas?
Até o momento, os cientistas conseguiram obter
células-tronco de blastocistos, um estágio inicial do embrião com apenas 100
células. Um grupo de pesquisadores americanos conseguiu extrair células-tronco
de mórulas, que têm entre 12 e 17 células. Em qualquer caso o embrião é
microscópico. As células retiradas são cultivadas em laboratório, e podem
render material para diversos anos de trabalho.
Em que estágio se encontram as pesquisas de tratamentos com
células-tronco?
Apenas no caso de leucemia e certas doenças do
sangue se pode falar efetivamente em tratamento. As perspectivas ainda são a
longo prazo, pois praticamente todas as terapias se encontram em fase de
testes, embora alguns resultados preliminares sejam promissores. Os cientistas
ainda têm várias questões a resolver, como a possibilidade de desenvolvimento
de tumores, verificada em testes com camundongos.
E no Brasil, o que existe em termos de pesquisas?
Na Bahia,
pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz estão tratando com sucesso cardiopatias
causadas pela doença de Chagas. No Hospital Pró-Cardíaco do Rio de Janeiro e no
Instituto do Coração de São Paulo, células-tronco são usadas em pacientes que
sofreram infarto. Também há estudos em vítimas de lesões medulares, diabetes do
tipo 1, esclerose múltipla e artrite.
Como é a legislação sobre células-tronco em outros países?
Nos Estados Unidos, o tema esteve no centro dos
debates das eleições presidenciais de 2004. Em 2001, o presidente George W.
Bush cortou o financiamento público para as pesquisas, permitidas durante o
governo Clinton, mas depois decidiu permitir o financiamento limitado. A
lei brasileira é considerada equilibrada, e está bem próxima da legislação
aprovada há poucos anos em plebiscito na Suíça. Em alguns países,
como a Coréia do Sul e a Inglaterra, a legislação também permite a clonagem
terapêutica.
O que o uso de células-tronco
tem a ver com a clonagem?
A "clonagem terapêutica" consiste na
transferência de núcleos de uma célula para um óvulo sem núcleo. Este óvulo
dará origem a um embrião, do qual se retiram as células-tronco. A vantagem
seria evitar a possibilidade de rejeição, caso o doador seja o próprio
paciente. Em caso de portadores de doenças genéticas,
há ainda a possibilidade de um doador compatível. Este tipo de clonagem é
diferente da clonagem reprodutiva, que é quando um embrião clonado é implantado
em um útero, com o objetivo de reprodução de pessoas.





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