sexta-feira, 13 de abril de 2012


CONCEITO




    As células-tronco são células com capacidade de renovação através da mitose e podem originar tipos especializados de células, que formam os diferentes tecidos do corpo humano.
As células-tronco embrionárias têm a capacidade de se diferenciar em diversos tipos celulares, como tecido sanguíneo, ósseo, muscular, epitelial, etc. Nos organismos adultos, as células-tronco tema função de reparar os danos celulares do organismo.
A utilização dessas células com fins terapêuticos tem se tornado cada vez mais promissora, principalmente para pessoas com doenças degenerativas e com danos ao sistema nervoso. Também são muito úteis no combate às doenças cardiovasculares, neurodegererativas, mal de Parkinson, diabetes juvenil e lesões na medula.

Células-tronco embrionárias
    São células derivadas da massa celular interna do blastócito, que é um embrião formado aproximadamente 5 dias após a fecundação. Essas células contêm uma grande capacidade de diferenciação, podendo dar origem a todos os tecidos do corpo, quando recebem o estímulo necessário. São classificadas como totipotentes ou pluripotentes.
Células-tronco Totipotentes: Podem produzir, além das células embrionárias, células da placenta e dos anexos embrionários.
Células-tronco Pluripotentes: Podem produzir células de todos os tecidos embrionários, exceto células extra-embrionárias.

Células-tronco adultas
    São células presente no organismo e com grande capacidade de diferenciação. Essas células trabalham para reparar danos e repor células do organismo. Como células-tronco adultas podemos citar a medula óssea, fígado, cordão umbilical, etc. Essas células podem ser colhidas tanto em adultos como em crianças.
As terapias com células-tronco adultas têm obtido resultados muito satisfatórios, principalmente entre diabéticos, pessoas com lesões na medula e com mal de Parkinson.
Células-tronco Multipotentes: Essas células podem produzir apenas uma linhagem celular. Por exemplo: as células hematopoiéticas são capazes de produzir apenas células do tecido sanguíneo (hemácias, linfócitos e plaquetas).
Células-tronco Unipotentes: Produzem apenas um tipo celular, mas possuem grande capacidade de renovação.



CÉLULA-TRONCO ORIGINÁRIA DE POLPA DENTÁRIA TRATA LESÃO OCULAR



     Células-tronco originárias da polpa do dente de leite podem curar deficiências visuais. É o que mostra a pesquisa realizada pela biomédica Bábyla Geraldes Monteiro, do Instituto Butantan. O trabalho avaliou a eficácia da atividade de células-tronco retiradas da parte interna de dentes de leite ao tratar uma lesão na região límbica dos olhos de coelhos. “É o espaço entre a parte colorida e a parte branca do globo ocular”, explica a pesquisadora. O procedimento adotado busca reconstruir a córnea para, assim, restaurar a visão.

      A partir de setembro, a técnica começará a ser testado em humanos, em parceria
com o Instituto da Visão da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Em um primeiro momento os testes serão aplicados em um grupo de pacientes voluntários que já passaram por cirurgia e não obtiveram resultados satisfatórios, não podem receber enxertos de tecido e não apresentam quadro infeccioso. Os testes devem demorar seis meses e, caso a técnica apresente resultados satisfatórios, poderá ser disponibilizada para a população.
     A técnica desenvolvida pela biomédica está descrita na dissertação de mestrado Estudo da Plasticidade das Células tronco de Polpa Dentária: Diferenciação e Caracterização para Células do Epitélio Corneano in vitro e in vivo, apresentada por Bábyla ao Programa de Pós-Graduação Interunidades em Biotecnologia (USP/IPT/Instituto Butantan). O trabalho foi premiado  durante o congresso oftalmológico Pan-American Research Day – ARVO Annual Meeting, realizado neste ano em Fort Lauderdale, Flórida.
     A pesquisa, feita com coelhos, partia da indução de uma lesão clínica no animal. Essa lesão é perceptível quando, na superfície do olho lesionado, enxerga-se uma marca esbranquiçada. Para tentar curá-la ou atenuá-la, as células da polpa dos dentes foram cultivadas dentro de uma estufa, com um polímero biodegradável que reagia à variação de temperatura. Ao retirar essas células do calor, a temperatura do conjunto diminuía e o polímero se soltava da placa de cultura, com as células-tronco aderidas a ele. “Assim, era possível transferir essa membrana para o olho lesionado.”





O PODER DAS CÉLULAS-TRONCO: UMA REVOLUÇÃO NA MEDICINA






CÉLULAS TRONCO EM ODONTOLOGIA


    Células-tronco são células que podem se diferenciar e constituir diferentes tecidos no organismo.As células-tronco podem se dividir em embrionárias (com capacidade de se transformar em praticamente qualquer célula do corpo, com exceção da placenta, sendo encontrada somente nos embriões), e as células-tronco adultas (com capacidade de transformação limitada, em geral restrita ao tecido de onde se originam). A obtenção de tecidos ou órgãos a partir de células tronco denominamos de bioengenharia. A odontologia tem sido uma das pioneiras dentro da medicina e uma das que mais pesquisam nesta área.
     Para que a bioengenharia seja possível, é essencial um conjunto formado por células-tronco, uma matriz que funcione como arcabouço para o desenvolvimento do novo tecido ou órgão e de proteínas, denominadas fatores de crescimento, como estímulo para diferenciação celular.



      Células-tronco adultas tem sido isoladas de vários tecidos do corpo humano, incluindo células que constituem os dentes. Células semelhantes à da medula óssea tem sido obtidas da polpa de dentes decíduos (de leite) humanos, possuindo a capacidade de transformação em diferentes tipos de células, como células ósseas (osteoblastos), células gordurosas (adipócitos), células musculares e células nervosas. 


    Alguns pesquisadores como Shi e colaboradores em 2005, utilizando polpa dentária extraída de terceiros molares humanos, detectaram a presença de células-tronco, as quais foram capazes de se transformar em células dentais (odontoblastos) produtoras de dentina. Com a intenção de desenvolver métodos de reposição de dentes humanos extraídos, Duailib e colaboradores em 2004, conseguiram regenerar coroas dentárias de ratos utilizando técnicas de engenharia tecidual. As células foram cultivadas em laboratório, colocadas em moldes com formato de dentes de rato, e implantadas no abdômen desses animais. Após 12 semanas, contatou-se que os moldes haviam sido absorvidos pelo organismo e formado dentes.
     O passo seguinte será induzir o crescimento de dentes em seu devido lugar.

Com o progredir das pesquisas nesta área, num futuro próximo, a reconstrução e construção de dentes vivos e gengiva a partir de células-tronco será plenamente possível.







ESTÍMULO À ATIVIDADE CIENTÍFICA




PRIMEIRO TRANSPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO É REALIZADO NA BAHIA



    Uma técnica usada pela primeira vez no Brasil traz esperança a pacientes que ficaram paralíticos. Médicos querem devolver alguns movimentos aos pacientes, implantando células tronco especiais.
     A primeira cirurgia foi feita nesta quinta-feira (14), em Salvador.
    O paciente é um policial militar de 45 anos. Ele perdeu os movimentos das pernas há cinco anos depois de cair de um telhado.
   O PM recebeu injeções de células-tronco mesenquimais diretamente no local onde a medula foi atingida.
     As células mesenquimais são retiradas do osso do quadril do próprio paciente e podem se transformar em vários tipos de tecido. Cães e gatos que receberam injeções dessas células recuperaram parte dos movimentos das patas afetadas. O método começou a ser estudado há seis anos por pesquisadores da Fundação Osvaldo Cruz e dos hospitais Espanhol e São Rafael, em Salvador.
   Até o fim do ano, outras 19 pessoas com paralisia serão submetidas a esse tipo de cirurgia. Depois de operadas, todas irão fazer fisioterapia por seis meses para fortalecer a musculatura atrofiada.
    O neurocirurgião Marcos Mendonça explica: “Nós esperamos que os pacientes tenham uma melhora não só da função neurológica, como melhora da qualidade de vida”, diz.
Doença de Chagas
    Em outro procedimento inédito, médicos fizeram, em junho de 2003, também na capital baiana, o primeiro transplante de células-tronco em um paciente com insuficiência cardíaca decorrente da doença de Chagas.

PESQUISA COM CÉLULAS-TRONCO EM GATOS NA BAHIA



PESQUISA DA UFBA UTILIZA CÉLULAS-TRONCO PARA TRATAR NECROSE ÓSSEA




      Um tratamento contra doenças nos ossos foi desenvolvido por pesquisadores do Hospital das Clínicas da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Eles utilizam células-tronco para recuperar células ósseas mortas. Para isso, os médicos retiram células-tronco mesenquimais do osso da bacia do próprio paciente e as aplicam nas áreas atingidas. A técnica tem sido utilizada sobretudo no fêmur.     Na Bahia, este tipo de tratamento ganha ainda mais importância porque o estado registra a maior incidência brasileira de anemia falciforme, uma alteração genética no sangue que provoca, entre outros efeitos, a morte do tecido ósseo. A população negra é mais atingida pela doença. Eficiente na maioria dos casos de necrose em estágio inicial, a nova técnica já beneficiou 60 pessoas de vários estados. “O grau de eficácia está em torno de 93% a 95% dos pacientes que se submetem a este tratamento. Eles praticamente abandonam a bengala 30 dias depois, a dor deixa, desaparece 48 horas depois e eles retomam a marcha próximo do normal”, assegurou Gildásio Daltro, ortopedista coordenador da pesquisa. Com informações do Correio.


IGREJA CATÓLICA VOLTA A CONDENAR CLONAGEM HUMANA E CONGELAMENTO DE EMBRIÕES





CÉLULAS-TRONCO E PARKINSON: BENEFÍCIOS E RISCOS



     Uma nova pesquisa realizada por nossa equipe no Centro do Estudo do Genoma Humano (CEGH), que acaba de ser publicada na revista Stem Cell Reviews and Reports,  mostrou pela primeira vez que células-tronco retiradas de cordão umbilical humano foram muito benéficas quando injetadas em ratos com uma forma induzida de doença de Parkinson. Mas essa mesma pesquisa mostrou os riscos que podem advir desse procedimento, se este não for realizado com todo o rigor científico. Uma etapa do estudo usou um preparo de células-tronco contaminado com fibroblastos. As duas estruturas podem ser facilmente confundidas ao microscópio. Ao injetar as células-tronco “contaminadas” com fibroblastos no cérebro de ratos, verificou-se que todos os efeitos benéficos observados com o uso exclusivo das células-tronco foram abolidos.  Diversas clínicas anunciam atualmente terapias com células-tronco sem que haja maior controle do que é feito. Uma clínica na Alemanha, a X-cell, que oferece um pseudo-tratamento desse tipo para pacientes com inúmeras doenças, acaba de ser fechada porque causou a morte de um bebê e uma hemorragia cerebral grave em outra criança. Por isso, mais uma vez,  é fundamental alertar os pacientes que se submetem a esses tratamentos sobre os riscos que estão correndo.
     Para falar sobre isso, entrevistei o Dr. Keith Okamoto que coordenou a pesquisa no CEGH.
  O senhor pode nos explicar como o procedimento foi realizado?
    Utilizamos um modelo experimental de Doença de Parkinson em ratos para avaliar possíveis efeitos terapêuticos decorrentes do transplante de células-tronco. As células foram obtidas de cordão umbilical humano e injetadas diretamente no cérebro de animais com princípio de neurodegeneração.
  Como foi avaliado o efeito benéfico nos animais que haviam sido transplantados com células-tronco de cordão umbilical humano?
    Verificamos a quantidade de neurônios dopaminérgicos no cérebro e também a ocorrência de deficiências motoras típicas da Doença de Parkinson. Comparamos esses fatores em animais tratados com células-tronco em relação a animais tratados apenas com solução salina. Uma peculiaridade dessa pesquisa foi a inclusão de um grupo controle adicional composto por animais tratados com fibroblastos humanos, células comuns, muito semelhantes às células-tronco,  mas  sem as  propriedades dessas.

  Toda pesquisa que envolve um novo tratamento em um modelo animal precisa ser comparada com um grupo controle não tratado com o agente específico que queremos testar. Qual foi a surpresa nesse caso?

      A inclusão de grupos controle é fundamental em qualquer pesquisa científica, pois permite distinguir os efeitos do tratamento de interesse com maior precisão. No nosso estudo, verificamos que apenas os animais tratados com células-tronco possuíam quantidades de neurônios e comportamento motor semelhantes aos de animais normais. Um resultado surpreendente foi o de que o tratamento com fibroblastos se mostrou altamente deletério, causando maior morte de neurônios e deficiências de atividade motora do que no grupo controle tratado só com solução salina.
  Como foi confirmado o papel deletério dos fibroblastos nos animais transplantados?
    Os fibroblastos foram injetados em animais sadios e em animais com princípio de degeneração. O efeito deletério dos fibroblastos foi observado em ambos os casos. Nós também simulamos uma contaminação da preparação de células-tronco com fibroblastos, isto é, misturamos esses dois tipos de células em partes iguais. Ao injetar as células-tronco “contaminadas” com fibroblastos no cérebro de ratos, verificamos que os fibroblastos aboliram os efeitos benéficos anteriormente observados para as células-tronco.
  Como diferenciar células-tronco mesenquimais de fibroblastos?
     Ao microscópio, essas células são muito semelhantes entre si. Além disso, apresentam o mesmo comportamento quando cultivadas no laboratório, podendo ser facilmente confundidas. Como, diferentemente dos fibroblastos, as células-tronco mesenquimais são consideradas multipotentes, isso é, capazes de gerar alguns tipos de células especializadas, um teste que nos permitiu distingui-las foi o de capacidade de diferenciação celular. Isto é, antes de injetá-las precisamos confirmar se elas conseguem realmente formar células musculares, adiposas, cartilaginosas e ósseas.

  Além do efeito benéfico demonstrado pela primeira vez com células-tronco mesenquimais do cordão umbilical na doença de Parkinson, qual é a grande lição desse experimento que deve ser divulgada, principalmente com a proliferação de centros não credenciados que oferecem tratamentos com células-tronco a um alto custo? 

    A de que a qualidade das preparações de células-tronco deve ser rigorosamente verificada antes de qualquer aplicação em pacientes, visto que a presença de eventuais células contaminantes, como os fibroblastos, pode não apenas inibir os efeitos benéficos das células-tronco, mas também causar danos severos com efeitos opostos aos desejados pelo tratamento. Não sabemos se essas clínicas, que visam lucro têm esse cuidado. É possível que esse bebê que acaba de morrer depois de ter sido submetido a “tratamento” na clínica X-cell tenha recebido injeções contaminadas com fibroblastos. Não sabemos. Por isso é fundamental alertar os pacientes que se submetem a esses tratamentos sobre os riscos que estão correndo.

CÉLULAS-TRONCO E A LEI DE BIOSSEGURANÇA







     A Lei de Biossegurança busca, em uma só tacada, regulamentar dois assuntos bastante polêmicos: a produção e comercialização de organismos geneticamente modificados (popularmente chamados de transgênicos) e a pesquisa com células-tronco.
O Supremo Tribunal Federal em Brasília definirá e regulamentará a utilização de células-tronco embrionárias – aquelas advindas de embriões congelados para inseminação artificial ou por outro método de fertilização in vitro – para a pesquisa científica.

     As células-tronco são células que carregam consigo a possibilidade de se transformarem em células, da pele, células musculares, cardíacas, pancreáticas, nervosas, podendo ser utilizadas para gerar um novo órgão.
    As pesquisas que são feitas hoje no Brasil se limitam aquelas com células da medula óssea e do cordão umbilical, consideradas células “adultas”, capazes de gerar apenas alguns tecidos do corpo.
    Após aprovação inicial pela Câmara e pelo Senado, a lei foi questionada em 2005 pelo então Procurador Geral da República Cláudio Fonteles, que acredita que a utilização de embriões congelados por mais de 3 anos e já inviáveis para reprodução humana são seres vivos e, portanto, sua utilização para pesquisa seria um “assassinato”.
     Durante o ano de 2007, amplo debate envolvendo a Igreja e a comunidade científica tentou esclarecer, cada um segundo seu ponto de vista, os Ministros do Supremo Tribunal Federal que hoje decidem entre a cruz e a espada. Entre a estagnação religiosa e o avanço científico.

BIOÉTICA E CLONAGEM




OS MITOS E AS VERDADES SOBRE AS CÉLULAS TRONCO




   Inicialmente se pensava que as CTA( células-tronco adultas) não teriam a mesma versatilidade que as CTE( células-tronco embrionárias), e que sua vitalidade seria menor, por isso, teoricamente, as CTE foram apontadas como a melhor opção para o desenvolvimento de técnicas terapêuticas, entretanto, já se caminhou muito com as pesquisas utilizando-se CTA e o que se tem visto é que elas têm a mesma versatilidade das CTE, pois já se pode produzir até células embrionárias a partir de CTA (6), além do que são mais “dóceis” que as CTE, prestando-se facilmente a culturas em laboratório, o que é extremamente importante.

     Até o momento, todos os resultados positivos alcançados com células tronco, foram obtidos com as CTA, um dos motivos mais óbvios para tais resultados é que estas células são retiradas do próprio paciente, sendo assim, não são, na maioria das vezes, rejeitadas pelo organismo. As pesquisas com células embrionárias, apesar de terem, teoricamente, maior potencial de diferenciação, não tem trazido bons resultados nos estudos já realizados em animais; a revista Lancet de 10 de julho, traz um artigo de Allegrucci e col , que afirmam que as células tronco de embriões congelados, estão muito longe de serem a mais perfeita fonte de CT para terapia, além do que, foram observados casos de teratomas, um tipo de câncer extremamente invasivo e grave.
      Apenas recentemente, um grupo coreano (chefiado pelo Dr. Woo Hwang ) obteve sucesso com a cultura de CTE. Trata-se de uma linhagem celular que, o próprio autor admite, foi conseguida “por acaso”, ou seja, não se sabe como ou porque deu certo, fato que tem trazido como conseqüência, muitas dificuldades para manter e fazer crescer estas culturas. É oportuno que se diga que, as linhagens do Dr. Hwang foram obtidas utilizando-se a clonagem humana(7), para em seguida, utilizar-se estes embriões como doadores de células, o que é mais um aspecto ético a ser considerado, além do que, este ainda é o único caso de sucesso de cultura destas células em laboratório, registrado na literatura.
   Parece consenso entre os pesquisadores da área, que a utilização de embriões congelados, devido a um processo chamado de metilação do DNA ao qual são submetidos, dificulta sobremaneira qualquer tipo de tentativa de gerar culturas, passo fundamental para o início dos trabalhos que tentarão chegar à utilização terapêutica destas células, já que, para se ter uma idéia, no auto-transplante de CTA obtidas da medula óssea, utiliza-se em torno de um bilhão de CTs por mililitro, injetando-se 40 mililitros de um concentrado destas células na região lesada através de um cateter introduzido na artéria femoral, seja no caso de infarto do miocárdio ou de doença de Chagas (trabalhos já publicados pelo Dr. Dohmman, do Hospital Pró-Cardíaco, no Rio de Janeiro, e do Dr.    Ricardo Ribeiro dos Santos, na Bahia). Podemos concluir, portanto, que o número de CTE obtidas pelos coreanos ainda é irrisório e inútil para as tentativas terapêuticas pretendidas.

VEJA QUAIS AS PERSPECTIVAS PARA O USO DE CÉLULAS-TRONCO





ATUALMENTE:
— Leucemia
     Células-tronco retiradas de cordão umbilical e armazenadas em bancos de células-tronco são cada vez mais usadas em substituição ao transplante de medula óssea em pacientes com leucemia. Com a técnica, mais de 1,5 mil pessoas podem deixar de morrer por falta de doadores de medula óssea no Brasil.
PARA 5 ANOS:
— Lesão medular
     Avanços para tratar lesão medular (acidentados) com células-tronco devem chegar aos hospitais. O avanço também poderá ser usado como recurso para casos de ruptura de nervos.
— Parkinson
    A expectativa é de que a doença seja tratada com terapia celular. Pesquisas sobre a injeção de células-tronco em áreas do cérebro que desencadeiam os sintomas já foram iniciadas em humanos.
PARA 10 ANOS:
— Combinação das terapias gênica (alteração na informação genética da célula) e celular
     O desenvolvimento da técnica tende a substituir o uso de boa parte das medicações. A junção deverá fazer com que a manipulação in vitro da célula seja tão eficaz que a transforme conforme as necessidades do paciente. Por exemplo, uma célula-tronco qualquer poderá adquirir características de um músculo cardíaco e ser colocada no coração para reparo desse músculo.
— Diabetes Tipo 1
     A ciência promete trazer soluções para essa deficiência do sistema de defesa do organismo, que além de atacar corpos estranhos como vírus e bactérias, danifica as células do próprio pâncreas (responsável pela produção de insulina). No Hospital de Clínicas de Porto Alegre, pesquisadores transformaram uma célula-tronco em produtora de insulina e a transplantaram para animais diabéticos. Em 100% dos casos, as cobaias ficaram com a produção do hormônio muito próximo do normal. A tendência é de que dê certo também em humanos.
— Sistema Nervoso Central
     Doentes com esquizofrenia devem ter uma melhora significativa na qualidade de vida. Isso porque cientistas já injetam células-tronco em animais e essa intervenção impede que ocorra a lesão que o surto psiquiátrico causa em áreas do cérebro. Com o sucesso em cabaias, a tendência é de que se comece a experimentação em pessoas.
— Órgãos fabricados
     Será questão de anos para que órgãos mais simples possam ser fabricados fora do corpo. Um grupo do Instituto de Pesquisa de Células-Tronco, vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), estuda a formação de tecidos e ossos in vitro desde 2007. De acordo com a farmacêutica e bioquímica Patricia Pranke, coordenadora do estudo que alia engenharia genética com nanotecnologia e células-tronco, a técnica, que resulta na capacidade de regeneração, poderia ajudar pacientes com osteoporose ou perda óssea. Em vez de usar prótese de titâneo, por exemplo, o indivíduo usará esse implante de célula-tronco.
                                                    ENTREVISTA




ENTREVISTADO - Padre Alessandro
Local da entrevista – Na Cúria em Vitória da Conquista/Ba
Horário: 10:40hs 


A pergunta foi direcionada à opinião da Igreja Católica em relação a células-tronco.


Opinião da Igreja Católica segundo o PADRE ALESSANDRO


   
Resposta :

A igreja não é contra o uso de células-tronco adultas, desde que não fere a dignidade da pessoa humana. Ela não é contra a ciência, mas determinados recursos utilizados pela mesma.
Onde existir uma oposição à vida humana a igreja será sempre contra, pois seu principio é a defesa da vida. 
        Até que ponto se pode destruir uma vida para salvar outra?
        È contra o uso de células embrionárias em qualquer situação.

        A igreja é contra aos métodos artificiais de fertilização de embriões para a procriação, não é um método natural, existe uma super fertilização.
        Ela é a favor dos métodos naturais, onde um homem e uma mulher que querem se casar com o propósito de ter filhos, salvo aqueles que por algum tipo de patologia não podem ter filhos, aí a igreja não os condena. Mas se algum casal que se casar e não querem filhos a igreja manda procurar outros meios de se unirem.
         É também uma questão ética e moral.

        Na opinião do Pe. Alessandro a lei de Biossegurança falhou com a sociedade, no sentido de que embutiu duas questões altamente sérias no mesmo pacote. Faltou uma maior reflexão do envolvimento da sociedade bem como a separação dos termos ali embutidos sem contar a manipulação da mídia.


TIRE SUAS DÚVIDAS


Que avanços as pesquisas científicas com células-tronco podem trazer para a medicina? 


     As células tronco podem ser utilizadas para substituir células que o organismo deixa de produzir por alguma deficiência, ou em tecidos lesionados ou doentes. As pesquisas com células-tronco sustentam a esperança humana de encontrar tratamento, e talvez até mesmo cura, para doenças que até pouco tempo eram consideradas incontornáveis, como diabetes, esclerose, infarto, distrofia muscular, Alzheimer e Parkinson. O princípio é o mesmo, por exemplo, do transplante de medula óssea em pacientes com leucemia, método comprovadamente eficiente. As células-tronco da medula óssea do doador dão origem a novas células sangüíneas sadias.


Por que permitir a pesquisa com embriões, se as células-tronco são também encontradas em tecidos adultos?


     Porque as células embrionárias seriam as únicas que têm a capacidade de se diferenciar em todos os 216 tecidos que constituem o corpo humano. As células retiradas de tecidos adultos têm capacidade de dar origem a um número restrito de tecidos. As da medula óssea, por exemplo, formam apenas as células que formam o sangue, como glóbulos vermelhos e linfócitos.





O que a Lei da Biossegurança aprovada na Câmara permite? 


     Ela autoriza as pesquisas científicas com células-tronco embrionárias, mas impõe uma barreira. Poderão ser pesquisados apenas os embriões estocados em clínicas de fertilização considerados excedentes, por não serem colocados em útero, ou inviáveis, por não apresentarem condições de desenvolver um feto. O comércio, produção e manipulação de embriões, assim como a clonagem de embriões, seja para fins terapêuticos ou reprodutivos, continuam vetados.


Os cientistas podem adquirir os embriões diretamente nas clínicas de fertilização assistida?


     Sim. O cientista precisa da autorização do conselho de ética do instituto onde trabalha, como em qualquer projeto que envolva a manipulação de material humano. Uma vez autorizado, o pesquisador poderá adquirir os embriões diretamente nas clínicas. Eles deverão estar estocados há mais de três anos e só poderão ser utilizados com o consentimento dos pais, mediante doação. Atualmente, estima-se que o país tenha 30.000 embriões congelados.



Qual o motivo da polêmica em torno da lei? 

      Para explorar as células-tronco usando as técnicas conhecidas hoje, é necessário retirar o chamado "botão embrionário", provocando a destruição do embrião. Esse processo é condenado por algumas religiões – como a católica - que consideram que a vida tem início a partir do momento da concepção. Há perspectivas de que no futuro se encontrem técnicas capazes de preservar o embrião, o que eliminaria as resistências religiosas.


É possível desenvolver uma técnica para obter células-tronco sem precisar dos embriões? 

     Sim. No início de 2007, cientistas americanos anunciaram a descoberta de uma nova fonte de células "coringa", extraídas do líquido amniótico, que preenche o útero durante a gravidez. Extraídas e cultivadas em laboratório, as células deram origem a vários tipos de células diferentes - ou seja, funcionam como células-tronco. Conforme os cientistas, as células-tronco extraídas do líquido amniótico não são idênticas às células-tronco embrionárias. Em alguns casos, porém, elas funcionam até melhor, dizem eles. Mas a gama de aplicações para esse novo tipo de célula-tronco pode ser menor do que no caso das embrionárias.



Qual é o tamanho do embrião quando as células são extraídas para pesquisas?



     Até o momento, os cientistas conseguiram obter células-tronco de blastocistos, um estágio inicial do embrião com apenas 100 células. Um grupo de pesquisadores americanos conseguiu extrair células-tronco de mórulas, que têm entre 12 e 17 células. Em qualquer caso o embrião é microscópico. As células retiradas são cultivadas em laboratório, e podem render material para diversos anos de trabalho.


Em que estágio se encontram as pesquisas de tratamentos com células-tronco? 

     Apenas no caso de leucemia e certas doenças do sangue se pode falar efetivamente em tratamento. As perspectivas ainda são a longo prazo, pois praticamente todas as terapias se encontram em fase de testes, embora alguns resultados preliminares sejam promissores. Os cientistas ainda têm várias questões a resolver, como a possibilidade de desenvolvimento de tumores, verificada em testes com camundongos.


E no Brasil, o que existe em termos de pesquisas? 


    Na Bahia, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz estão tratando com sucesso cardiopatias causadas pela doença de Chagas. No Hospital Pró-Cardíaco do Rio de Janeiro e no Instituto do Coração de São Paulo, células-tronco são usadas em pacientes que sofreram infarto. Também há estudos em vítimas de lesões medulares, diabetes do tipo 1, esclerose múltipla e artrite.


Como é a legislação sobre células-tronco em outros países? 

     Nos Estados Unidos, o tema esteve no centro dos debates das eleições presidenciais de 2004. Em 2001, o presidente George W. Bush cortou o financiamento público para as pesquisas, permitidas durante o governo Clinton, mas depois decidiu permitir o financiamento limitado. A lei brasileira é considerada equilibrada, e está bem próxima da legislação aprovada há poucos anos em plebiscito na Suíça. Em alguns países, como a Coréia do Sul e a Inglaterra, a legislação também permite a clonagem terapêutica.





O que o uso de células-tronco 
tem a ver com a clonagem? 

     A "clonagem terapêutica" consiste na transferência de núcleos de uma célula para um óvulo sem núcleo. Este óvulo dará origem a um embrião, do qual se retiram as células-tronco. A vantagem seria evitar a possibilidade de rejeição, caso o doador seja o próprio paciente. Em caso de portadores de doenças genéticas, há ainda a possibilidade de um doador compatível. Este tipo de clonagem é diferente da clonagem reprodutiva, que é quando um embrião clonado é implantado em um útero, com o objetivo de reprodução de pessoas.